Prato com carne, legumes e purê de batata sobre uma mesa de madeira, visto de cima
Imagem ilustrativa de banco de imagens, sem relação com a pessoa citada no texto. Foto: DΛVΞ GΛRCIΛ, via Pexels.

Jejum de 60 horas: uma história real, contada com respeito, sobre o que acontece quando a pressa de emagrecer fala mais alto que o corpo.

Quase todo mundo já passou por isso: um evento se aproxima, a roupa não fecha como antes e, então, bate a vontade de resolver tudo em poucos dias. Por isso, quando a notícia de um jejum de 60 horas chegou às redes, muita gente parou para ler. Afinal, a história envolve uma pessoa pública, uma meta pequena e um susto grande.

Segundo uma reportagem do Correio 24 Horas, publicada em 15 de julho de 2026, a atriz e influenciadora Joana Cabral foi levada ao hospital depois de um jejum de 60 horas, ou seja, cerca de dois dias e meio sem comer. Ela queria perder cinco quilos rapidamente. Assim, neste texto eu conto o que foi publicado, explico por que o corpo reage desse jeito e mostro caminhos mais seguros. Além disso, vou deixar claro o que eu sei e o que eu não sei, porque a única fonte desta história é essa reportagem.

O que aconteceu no caso do jejum de 60 horas

Antes de qualquer conselho, vale organizar os fatos. Dessa forma, fica mais fácil separar o que foi relatado do que é opinião.

Os fatos do jejum de 60 horas, segundo a reportagem

De acordo com o que foi publicado, Joana tentava perder cinco quilos em pouco tempo e passou cerca de 60 horas sem se alimentar. Depois disso, precisou ser internada. Segundo a reportagem, os médicos apontaram hipoglicemia, pressão baixa e batimentos do coração enfraquecidos. Ela também contou que teve um susto na UTI.

Eu não tive acesso a exames, a laudos nem a nenhuma conversa com ela. Portanto, tudo o que está neste artigo sobre o caso vem da reportagem, e os detalhes podem ter sido atualizados depois. Se você quiser conferir, procure a matéria original no site do Correio 24 Horas.

O que ela disse depois do susto

Passado o episódio, Joana deu uma declaração que vale registrar: “Parar de comer totalmente não é o caminho. Pelo menos para mim.” Ou seja, ela mesma reconheceu que a estratégia não deu certo. Além disso, a atitude de falar publicamente sobre o assunto pode ajudar quem pensa em fazer algo parecido, porque mostra o outro lado da pressa.

Por que tanta gente se identifica com essa história

A pressa de emagrecer raramente nasce do nada. Muitas vezes, ela vem de um casamento marcado, de uma viagem, de uma foto que circulou ou de um comentário que ficou na cabeça. Além disso, as redes sociais mostram transformações rápidas o tempo todo, e isso cria a sensação de que todo mundo consegue mudar o corpo em uma semana. Só que, quando a gente enxerga apenas o resultado, esquece o que ficou fora da foto.

Por isso, o caso do jejum de 60 horas tocou tanta gente. Afinal, ele mostra que até quem vive sob os olhos do público pode escolher um atalho arriscado. Da mesma forma, quem não é famoso também sofre pressão, só que em silêncio. Portanto, ler essa história com empatia, e não com julgamento, ajuda a transformar o susto dela em aprendizado para todos.

O que o corpo faz em um jejum de 60 horas

Para entender por que um jejum de 60 horas preocupa tanto, é preciso olhar para o que acontece por dentro. Primeiro, o corpo usa a energia que vem da comida. Depois, quando ela acaba, ele busca reservas. Só que esse processo tem limites, e cada pessoa reage de um jeito.

Hipoglicemia, em palavras simples

Hipoglicemia quer dizer açúcar baixo no sangue. Como o cérebro depende desse açúcar para funcionar, a queda pode causar tontura, tremores, suor frio, fraqueza e confusão. Em casos mais fortes, pode levar a desmaio. Por isso, médicos costumam tratar esse quadro com seriedade, principalmente quando ele aparece depois de muitas horas sem se alimentar.

Copo alto de água sobre uma mesa de madeira, imagem ilustrativa para o artigo sobre jejum de 60 horas
Imagem ilustrativa de banco de imagens, sem relação com a pessoa citada no texto. Foto: Ela F. Yegen Koumpos, via Pexels.

Pressão baixa e coração

A pressão baixa também entrou na lista de problemas citados na reportagem. Quando a pressão cai demais, o sangue chega com menos força ao cérebro e aos outros órgãos. Então, aparecem sintomas como visão escurecida, sensação de que vai desmaiar e cansaço fora do normal. Já o coração, quando fica fraco, pode bater de forma irregular, e isso exige atendimento rápido.

Por que a tontura merece atenção

Muita gente acha que tontura é “coisa de quem não comeu” e continua o dia normalmente. No entanto, quando ela vem junto com suor frio, tremedeira ou visão escura, o corpo está pedindo ajuda. Por isso, sentar, beber água e comer algo costuma ser o primeiro passo, e procurar um serviço de saúde é o segundo, se o desconforto não passar.

Quando procurar ajuda

Procure atendimento sem demora se houver desmaio, dor no peito, falta de ar, batimentos muito irregulares ou confusão mental. Além disso, vale conversar com um médico antes de tentar qualquer jejum longo, principalmente se você tem diabetes, pressão alterada, problema no coração ou já teve algum transtorno alimentar.

Por que a pressa de emagrecer engana

A meta de cinco quilos parece pequena. Porém, quando o prazo é curto, a mente passa a aceitar atalhos que, em outros momentos, pareceriam um exagero. Assim, quem pensa em um jejum de 60 horas faz uma conta rápida: “se eu não comer nada, perco mais depressa”. Na prática, essa conta ignora o que o corpo faz para se defender.

O peso que cai nem sempre é gordura

Quando alguém fica muitas horas sem comer, a balança pode mesmo mostrar um número menor. Entretanto, parte dessa queda costuma vir de líquidos e de reservas de energia, e não só de gordura. Em jejuns longos ou dietas muito rígidas, também pode haver perda de massa muscular. Por isso, o número da balança, sozinho, conta uma história incompleta.

O efeito sanfona e a relação com a comida

Além disso, restrições fortes costumam trazer fome intensa e vontade de compensar depois. Então, o que parecia uma vitória em dois dias vira um ciclo de perder e recuperar. Se você já sentiu fome o tempo todo durante uma dieta, o artigo por que sinto fome toda hora na dieta explica o que pode estar acontecendo. Da mesma forma, o texto o fim das dietas tradicionais ajuda a entender por que dietas muito duras costumam falhar.

O que mudou na rotina dela depois do susto

Segundo a reportagem, Joana mudou vários pontos da rotina. Como o objetivo aqui é informar, e não julgar, vou apenas contar o que foi publicado e comentar com cuidado.

Medicamento injetável e perda de massa muscular

A reportagem diz que ela parou, por enquanto, de usar um medicamento injetável para emagrecer, porque sentiu que estava perdendo massa muscular. Eu não sei qual era o produto, nem quem o indicou, e também não sei como foi o acompanhamento. Mesmo assim, o caso lembra algo importante: medicamentos para emagrecer têm indicação, doses e acompanhamento próprios, e só um médico pode decidir se fazem sentido para cada pessoa.

Dieta sem carboidrato e treino diário

Ainda de acordo com a matéria, ela passou a comer melhor, adotou uma alimentação sem carboidrato baseada em proteína e treina cinco dias por semana, duas horas por dia, sendo uma hora de cardio e uma de musculação. Antes do episódio, ela também fazia boxe e pilates, e pretende voltar a eles em breve.

Por que eu não trataria isso como receita

Cada corpo tem uma história. Portanto, uma rotina que funciona para uma pessoa, com acompanhamento e uma realidade própria, pode não servir para outra. Dietas que cortam um grupo inteiro de alimentos costumam ser difíceis de manter por muito tempo e pedem orientação de um nutricionista. Do mesmo modo, uma rotina de duas horas de treino por dia soma muito mais do que os 150 a 300 minutos semanais que a Organização Mundial da Saúde cita como referência de atividade moderada para a saúde em geral. Isso não significa que seja proibido, mas indica que o ideal é ter orientação profissional, sobretudo para quem está começando.

Como emagrecer com mais segurança

Se a lição do caso é que a pressa cobra um preço, a pergunta seguinte é natural: e o que fazer, então? A resposta é menos emocionante, porém mais confiável.

Comece pelo que é simples

Primeiro, organize as refeições. Comer em horários razoáveis, com uma fonte de proteína, legumes e verduras e menos bebidas açucaradas já muda bastante o cenário. Depois, cuide do sono e da água, porque noites ruins costumam aumentar a vontade de comer doces. Por fim, se possível, converse com um nutricionista, que adapta o plano à sua rotina e ao seu orçamento.

Tigela de salada fresca com alface, rodelas de tomate e ervas
Imagem ilustrativa de banco de imagens, sem relação com a pessoa citada no texto. Foto: Asya Vlasova, via Pexels.

Planejar evita decisões no desespero

Quando a comida está pronta, a chance de cair em extremos diminui. Por exemplo, separar refeições para dois ou três dias evita aquele momento em que a fome aperta e a única opção é um lanche qualquer. Dessa maneira, a semana fica mais tranquila e a mente não entra em modo de emergência.

Marmitas organizadas com refeições prontas, alternativa ao jejum de 60 horas
Imagem ilustrativa de banco de imagens, sem relação com a pessoa citada no texto. Foto: Ella Olsson, via Pexels.

Movimento que cabe na vida

Em seguida, entra o exercício. Aqui, o segredo é começar pequeno e ir crescendo. A caminhada, por exemplo, é uma ótima porta de entrada, e o artigo caminhada faz perder barriga mostra como começar sem exageros. Se você nunca treinou, os exercícios para emagrecer para iniciantes trazem ideias simples para os primeiros dias.

Defina uma meta que respeite o tempo

Uma boa meta tem prazo realista. Por exemplo, em vez de “perder cinco quilos até sexta”, pense em “melhorar a alimentação e me mexer mais nas próximas semanas”. Dessa maneira, você mede o que depende de você, como as refeições, o sono e os dias de movimento, e não apenas o número da balança. Além disso, quando o prazo é maior, a chance de manter o resultado também cresce, porque o hábito tem tempo de virar rotina.

E o jejum curto, faz sentido?

Falar de jejum de algumas horas é diferente de ficar dias sem comer. Mesmo assim, ele não serve para todo mundo, e quem tem diabetes, está grávida ou tem histórico de transtorno alimentar precisa de orientação médica antes. Para quem quer entender o assunto com calma, os artigos jejum intermitente: como fazer do jeito certo e jejum intermitente de 12 horas para mulheres acima de 35 tratam do tema em um formato bem mais curto e organizado.

Café da manhã com torrada, abacate e ovo, servido com suco de laranja
Imagem ilustrativa de banco de imagens, sem relação com a pessoa citada no texto. Foto: Antoni Shkraba, via Pexels.

Como conversar com um profissional

Muita gente adia a consulta por vergonha ou por achar que não “merece” ajuda. No entanto, médicos e nutricionistas estão acostumados a ouvir essas histórias todos os dias. Então, leve o que você já tentou, os remédios que usa, como está o seu sono e qual é o seu objetivo de verdade. Em seguida, pergunte o que é seguro para o seu caso e qual seria um ritmo possível. Assim, o plano nasce da sua realidade, e não de uma promessa de internet.

Sinais de alerta durante qualquer dieta

Independentemente do método escolhido, alguns sinais pedem que você pare e procure ajuda:

  • Tontura forte ou desmaio. Isso indica que o corpo não está recebendo o que precisa.
  • Batimentos acelerados ou irregulares. Podem ter muitas causas, e todas merecem avaliação.
  • Fraqueza que atrapalha o dia a dia. Um pouco de cansaço é comum, mas incapacidade de trabalhar ou estudar não é.
  • Pensamentos obsessivos com comida e culpa. Nesse caso, converse com um profissional de saúde, porque isso vai além da dieta.
  • Perda de peso muito rápida. Quanto mais depressa o número cai, maior a chance de ele não ser só gordura.

Perguntas frequentes sobre o jejum de 60 horas

Um jejum de 60 horas é seguro?

Não existe uma resposta única, porém, para a maioria das pessoas que buscam emagrecer, ficar tantas horas sem comer não é recomendado, e o caso relatado mostra um dos riscos. Se você pensa em tentar algo assim por qualquer motivo, converse antes com um médico.

Dá para perder cinco quilos com um jejum de 60 horas?

O número da balança pode até cair, mas, como vimos, parte dele costuma ser líquido e outras reservas. Por isso, perder gordura de verdade leva mais tempo, e a pressa tende a custar caro.

Quem teve hipoglicemia pode tentar um jejum?

Não sem orientação médica. Quem já teve hipoglicemia, tem diabetes ou usa medicamentos que mexem com o açúcar no sangue deve conversar com o médico antes de qualquer mudança forte na alimentação.

O que fazer se eu errei a mão na dieta?

Primeiro, se houver sintomas fortes, procure atendimento. Depois, volte a comer de forma regular, sem se punir. Por fim, converse com um nutricionista para recomeçar com um plano realista.

Essa história serve de exemplo para eu seguir?

Serve mais como alerta do que como modelo. Afinal, o mais valioso do que foi relatado é a conclusão da própria Joana: parar de comer totalmente não ajudou.

Posso treinar duas horas por dia para emagrecer mais rápido?

Depende do seu preparo, da sua saúde e do acompanhamento que você tem. Para quem está começando, o mais prudente é aumentar aos poucos e ouvir o corpo. Além disso, treinar mais não significa, necessariamente, emagrecer mais rápido, porque descanso e alimentação também fazem parte do resultado.

Conclusão: devagar também chega lá

O caso do jejum de 60 horas mostra que, às vezes, a pressa leva para o caminho mais longo. No entanto, a história também traz algo bom: depois do susto, a pessoa mudou de estratégia e falou abertamente sobre o aprendizado. Assim, quem lê pode aproveitar a lição sem precisar passar pelo mesmo.

Se você está com pressa de emagrecer, respire. Procure um profissional, comece pelo simples e deixe o corpo trabalhar com você, e não contra você. Aliás, os melhores resultados costumam aparecer em quem insiste, e não em quem se castiga.

Por fim, vale guardar uma ideia: este artigo é informativo, foi escrito com base em uma única reportagem publicada e não substitui a avaliação de um médico ou de um nutricionista.

Devagar também chega lá, e com saúde chega melhor.

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