Cubos de açúcar branco espalhados sobre uma superfície escura
A OMS recomenda não usar adoçante para controlar o peso. Foto: pasja1000 / Pixabay.

A pergunta se o adoçante emagrece está em alta nas buscas, mas a resposta curta não é a que muita gente espera. Em 2023, a Organização Mundial da Saúde, a OMS, publicou uma diretriz que recomenda não usar adoçantes sem açúcar para controlar o peso. Porém, a recomendação tem nuances, e vale entender cada uma antes de cortar ou manter o seu cafezinho adoçado.

No Google Trends, a consulta “qual o melhor adoçante para quem quer emagrecer” aparece entre as que mais cresceram junto da busca por “emagrecer” no Brasil nos últimos 30 dias, com alta de aproximadamente 4.500%. Porém, o Trends mostra interesse relativo, e não o número de pessoas. Mesmo assim, o dado indica que muita gente quer saber se trocar o açúcar resolve.

Neste texto, primeiro explico com palavras simples o que a OMS recomenda e o que a Anvisa e a Sociedade Brasileira de Diabetes dizem, e depois mostro o que fazer no lugar. Além disso, mostro quando a regra não vale. Tudo vem das fontes listadas no fim, pois não quero afirmar nada sem base. Mesmo assim, isto é informação, e não orientação médica ou nutricional.

Trocar o açúcar por adoçante não é atalho para emagrecer.

Cubos de açúcar branco espalhados sobre uma superfície escura
A OMS recomenda não usar adoçante para controlar o peso. Foto: pasja1000 / Pixabay.

O adoçante emagrece? O que a OMS recomenda

Em 15 de maio de 2023, a OMS publicou a diretriz “Use of non-sugar sweeteners”, ou seja, uso de adoçantes sem açúcar. Ela recomenda não usar esses adoçantes para controlar o peso corporal nem para reduzir o risco de doenças não transmissíveis, como o diabetes tipo 2 e as doenças do coração.

Ou seja, para a OMS, a resposta à pergunta adoçante emagrece mesmo é que ele não deve ser usado com esse objetivo. Porém, a própria OMS classificou a recomendação como condicional, e isso importa, como explico adiante.

Adoçante emagrece no longo prazo?

Segundo a nota da OMS, a revisão sistemática que sustenta a diretriz concluiu que o uso desses adoçantes não traz benefício de longo prazo para reduzir a gordura corporal, em adultos ou em crianças. Além disso, o uso prolongado pode estar associado a possíveis efeitos indesejados, como maior risco de diabetes tipo 2, de doenças cardiovasculares e de mortalidade em adultos.

A nota não traz números, como o tamanho do efeito ou a quantidade de estudos, então não vou citar nenhum. Por isso, se você viu por aí uma porcentagem exata sobre isso, vale conferir na revisão original.

Adoçante emagrece no curto prazo?

Aqui a conta muda um pouco, mas com um cuidado. Segundo o Tua Saúde, que resume a diretriz, os adoçantes podem reduzir um pouco o peso no curto prazo quando substituem o açúcar. Porém, não encontrei essa afirmação na nota da OMS que li, então trato isso como informação de segunda mão. Em outras palavras, a troca pode ajudar um pouco no começo, mas, segundo a OMS, não há benefício de longo prazo para a gordura corporal.

Quais adoçantes entram na recomendação da OMS?

A diretriz cobre os adoçantes sem açúcar, tanto os sintéticos quanto os naturais ou modificados. Na lista da OMS, entram acessulfame K, aspartame, advantame, ciclamatos, neotame, sacarina, sucralose e a stévia, com seus derivados. Assim, a regra não vale só para os adoçantes sintéticos.

A stévia também entra na conta

Muita gente acha que o adoçante natural escapa da recomendação, mas a OMS inclui a stévia e seus derivados na lista. Por isso, segundo a diretriz, a recomendação vale para eles também.

O que fica de fora da diretriz

A diretriz não se aplica a pessoas com diabetes já diagnosticado. Deixa de fora produtos de higiene e cuidado pessoal com esses adoçantes, como pasta de dente e cremes, e os medicamentos. Além disso, os açúcares de baixa caloria e os polióis, que são os álcoois de açúcar, não entram, porque a OMS os considera açúcares ou derivados que têm calorias.

Por que a OMS fez uma recomendação condicional?

Segundo a OMS, a recomendação é condicional, e não forte, porque a relação entre esses adoçantes e os problemas de saúde pode ser confundida por características das pessoas no início dos estudos e por padrões complexos de uso. Por exemplo, quem já está acima do peso pode escolher adoçante justamente por isso, e então fica difícil separar causa e efeito, mas esse exemplo é meu, e não da OMS.

Além disso, a OMS lembra que decisões de política pública baseadas na diretriz podem exigir muita discussão em cada país. A Anvisa, segundo a Rádio Itatiaia, também classificou a recomendação como condicional e disse que ainda é preciso reunir mais informações sobre seus benefícios e consequências.

O que a Anvisa disse

Em 18 de maio de 2023, a Rádio Itatiaia noticiou que a Anvisa avaliaria a diretriz com o Ministério da Saúde e outros órgãos, mas que o estudo da OMS não tinha como objetivo rever o perfil de segurança dos adoçantes. O uso de adoçantes no Brasil depende de autorização da Anvisa, que avalia a segurança com base nas diretrizes do comitê de especialistas da FAO e da OMS sobre aditivos alimentares.

A própria diretriz da OMS diz que não se baseia em avaliações de segurança de cada adoçante e que não substitui os limites de ingestão definidos por esse comitê. Ou seja, “não usar para emagrecer” e “é seguro dentro dos limites” são perguntas diferentes.

Adoçante emagrece quem tem diabetes? A regra muda

Antes de tudo, a recomendação da OMS não se aplica a quem já tem diabetes. Segundo a nota técnica da Sociedade Brasileira de Diabetes, os adoçantes não alteram a glicemia, ao contrário da sacarose, que é o açúcar comum, e por isso a entidade diz que os profissionais de saúde podem informar que o uso é possível, que ele pode reduzir calorias e que dá mais flexibilidade ao plano alimentar.

Porém, a mesma nota diz que a escolha deve considerar cada caso, que a quantidade deve respeitar a ingestão diária aceitável, a IDA, e que as bebidas açucaradas devem ser desencorajadas. Recomenda educar o paladar, com preferência pelo sabor natural dos alimentos. Então, no caso do adoçante para diabéticos, quem decide é a equipe de saúde, e não este texto.

Cuidados que a nota da SBD cita

A nota lista, por exemplo, estas restrições específicas:

  • Aspartame: contraindicado para quem tem fenilcetonúria, uma condição genética;
  • Ciclamato e sacarina: não indicados para pessoas com hipertensão;
  • Ciclamato: deve ser evitado na gestação, e a estévia associada ao ciclamato deve ser evitada por gestantes.

Não listo os limites numéricos, pois a nota traz dois valores diferentes para a stévia, e prefiro não escolher um. Além disso, o documento não tem data de publicação clara, já que consta apenas a gestão 2024-2025.

Adoçante faz mal? O que se sabe sobre o aspartame

Quando o assunto é adoçante faz mal, vale olhar o caso do aspartame. Em julho de 2023, segundo a Rádio Itatiaia, a OMS incluiu o aspartame na lista de substâncias “possivelmente cancerígenas”, mas a Anvisa manteve a recomendação de consumo. Segundo a matéria, a agência afirmou que não houve mudança na avaliação de segurança e que há consenso entre comitês internacionais de que o aspartame é seguro.

A reportagem cita a ingestão diária aceitável de 40 miligramas por quilo de peso corporal, definida em 1980. Em outras palavras, “possivelmente” não quer dizer “comprovado”, e o limite diário continua sendo a referência citada. Mesmo assim, não tenho como avaliar além do que as fontes trazem, então a decisão sobre usar ou não fica com o seu médico ou nutricionista.

Trocar o açúcar por adoçante emagrece? Um resumo honesto

Juntando as peças, o que as fontes dizem cabe em poucas linhas:

  • A OMS recomenda não usar adoçantes sem açúcar para controlar o peso, pois a revisão que a sustenta não encontrou benefício de longo prazo para a gordura corporal;
  • Depois, a recomendação é condicional, e a Anvisa também apontou que faltam informações;
  • Por fim, a regra não vale para quem já tem diabetes, e não é uma avaliação de segurança.

Assim, a resposta honesta é que não há base para dizer que o adoçante emagrece. Não encontrei, nas fontes brasileiras que li, um pedido para que as pessoas parem de usar. Então o ponto central é outro: o adoçante não deve ser a sua estratégia para emagrecer.

Se o adoçante emagrece pouco, o que fazer no lugar?

Mas a própria OMS dá a direção. Segundo Francesco Branca, diretor da OMS para nutrição e segurança alimentar, trocar açúcares livres, que incluem os adicionados, por adoçantes não ajuda a controlar o peso no longo prazo. Ele sugere consumir alimentos com açúcares naturalmente presentes, como as frutas, ou alimentos e bebidas sem adoçante, e reduzir a doçura da dieta desde cedo na vida. A OMS diz ainda que os adoçantes não são fatores essenciais da dieta e não têm valor nutricional.

Como reduzir o açúcar aos poucos

O Tua Saúde sugere diminuir aos poucos o açúcar do café, dos sucos e das vitaminas. O texto cita canela, baunilha e fruta madura como formas de dar sabor. Isso é uma sugestão da reportagem, e não da OMS, então serve como ponto de partida para quem quer reduzir o açúcar sem adoçante com ajuda de um nutricionista.

Xícara de café preto com um cubo de açúcar sobre a colher, ao lado de uma jarra de leite
Reduzir o açúcar do café aos poucos é uma das saídas sugeridas. Foto: shixugang / Pixabay.

O que beber no lugar

Água, chás sem açúcar e frutas inteiras aparecem entre as trocas sugeridas pelo Tua Saúde. O blog já tem um texto sobre o que a ciência mostra sobre beber água para emagrecer, que ajuda a separar o que a pesquisa mostra do que é promessa.

Caneca de vidro com água, limão e hortelã ao lado de morangos
Água, chá sem açúcar e frutas entram como alternativas às bebidas doces. Foto: congerdesign / Pixabay.

Como ler o rótulo

O Tua Saúde recomenda ler o rótulo de iogurtes, cereais, molhos e bebidas prontas, para saber o que o produto leva. Na lista de ingredientes, procure os nomes citados pela OMS, como sucralose, aspartame, sacarina e acessulfame. Sobre esse tipo de produto, vale ler o texto sobre o que são alimentos ultraprocessados e como identificar.

Prateleiras de supermercado com produtos industrializados em latas
No mercado, o rótulo mostra se o produto leva adoçante. Foto: Joenomias / Pixabay.

Cuidado com os doces zero

O Tua Saúde sugere evitar o consumo diário de doces zero. Na minha leitura, isso combina com a orientação da OMS de reduzir a doçura da dieta, pois um doce zero todo dia mantém o hábito do sabor muito doce, mas essa ligação é uma interpretação minha.

Emagrecer com segurança vai além de trocar o açúcar

Afinal, segundo a nota da SBD, a OMS recomenda reduzir tanto os açúcares de adição quanto os adoçantes não calóricos, com preferência por alimentos in natura e minimamente processados. Por isso, quem busca resultado rápido costuma esbarrar em promessas que não fecham a conta, como mostra o texto sobre a dieta para perder 5 kg em 7 dias. Entender quantas calorias o corpo precisa por dia ajuda a conversar melhor com o nutricionista. Quem quer saber o que muda ao tirar o açúcar pode ler sobre o que acontece no corpo 24 horas após cortar o açúcar.

Perguntas frequentes: adoçante emagrece?

Adoçante zero calorias emagrece?

Não, pois, segundo a OMS, ele não deve ser usado para controlar o peso, e a revisão não encontrou benefício de longo prazo para a gordura corporal.

Adoçante natural emagrece mais que o artificial?

A OMS inclui a stévia e seus derivados na mesma recomendação, então não há base na diretriz para dizer que o natural funciona melhor.

Quem tem diabetes deve parar de usar adoçante?

Não necessariamente, pois a regra da OMS não se aplica a quem já tem diabetes. A nota da SBD diz que o uso é possível, mas a escolha e a quantidade dependem de cada caso e da equipe de saúde.

Vale a pena apostar que o adoçante emagrece?

Não, pelo que dizem as fontes, pois a OMS recomenda não usar adoçante sem açúcar para controlar o peso, a revisão não encontrou benefício de longo prazo para a gordura corporal e a recomendação é condicional. Além disso, ela não vale para quem tem diabetes. Por isso, se a sua meta é emagrecer, comece pela consulta com um médico ou nutricionista, e não pela troca de embalagem.

Este texto é informativo, então não substitui a consulta com médico ou nutricionista. As informações seguem as notas e reportagens consultadas até 16 de outubro de 2026, mas as recomendações podem mudar. Por isso, confira sempre as fontes oficiais.

Fontes consultadas

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