
Sabe aquela sensação de fazer tudo certo e a barriga continuar lá? Dieta, exercício, corta o açúcar, dorme mais cedo… e nada. Por mais que você tente, a barriga parece que tem vida própria.
Pois é. Tem um motivo pra isso. E além disso, quando você entende o que a ciência encontrou nos últimos anos, fica claro por que tanta gente fica frustrada tentando a mesma coisa.
A gordura abdominal não é simplesmente gordura. Na verdade, ela age como um órgão. Ou seja, produz hormônios, se comunica com o resto do corpo e, dependendo do que você come, do quanto dorme e do nível de estresse que carrega, ela cresce ou diminui de formas que vão muito além de calorias.

O que a ciência tem dito sobre gordura abdominal
Primeiramente, é importante entender o que os pesquisadores encontraram. Nos últimos anos, eles publicaram uma série de estudos em revistas como Nature Medicine e Cell Metabolism que mostraram algo que mudou bastante a forma de entender o problema.
Em resumo, a gordura na região abdominal, especialmente a que fica dentro da cavidade do abdômen envolvendo os órgãos internos, chamada de gordura visceral, não fica ali parada esperando ser queimada. Pelo contrário, ela produz substâncias inflamatórias, interfere nos hormônios que controlam a fome e o metabolismo e, além disso, se comunica com o fígado de uma forma que bagunça o controle do açúcar no sangue.
Por isso, quanto mais gordura visceral você tem, mais o corpo fica resistente às tentativas de emagrecer. Parece injusto, mas faz sentido biológico. Afinal, o corpo entende aquela gordura como reserva de sobrevivência e não quer largar fácil.
Dois tipos de gordura que a maioria das pessoas confunde
Antes de avançar, vale entender a diferença entre os dois tipos de gordura na barriga, porque muita gente trata como se fosse a mesma coisa.
De um lado, temos a gordura subcutânea, que é aquela que você consegue segurar com a mão, logo abaixo da pele. Embora seja indesejada visualmente, do ponto de vista de saúde ela preocupa menos.
Por outro lado, a gordura visceral fica por dentro, abraçando órgãos como fígado, pâncreas e intestinos. Você não vê e não consegue pegar com a mão. Além disso, é ela que causa aquela barriga mais dura, especialmente em homens a partir dos quarenta anos e em mulheres depois da menopausa.
O problema maior com a gordura visceral, portanto, é que ela joga ácidos graxos e substâncias inflamatórias direto na corrente sanguínea, chegando ao fígado antes de qualquer outro órgão. Com o tempo, consequentemente, isso contribui para resistência à insulina, diabetes tipo 2 e problemas cardíacos.

Por que o estresse engorda especificamente a barriga
Esse foi um dos achados mais comentados nos últimos anos. Pesquisadores da Universidade de Yale documentaram algo que muita gente já suspeitava na prática: o estresse crônico engorda em lugares específicos e, principalmente, a barriga é o principal deles.
Quando você está estressado, o corpo libera cortisol. Em seguida, o cortisol manda um sinal para o organismo guardar energia na região abdominal, como se fosse uma reserva para uma ameaça que está por vir. Isso faz todo sentido evolutivo. No entanto, o problema é que hoje o estresse não passa. Trabalho, trânsito, conta para pagar, tela antes de dormir. Ou seja, o cortisol fica elevado de forma crônica e, por isso, a gordura visceral vai acumulando.
Além disso, quanto mais gordura visceral você tem, mais inflamação o corpo produz. Como resultado, mais inflamação aumenta a compulsão por alimentos gordurosos e açucarados. Mais açúcar eleva a insulina. E consequentemente, insulina alta manda mais gordura para o abdômen. O ciclo, portanto, não para sozinho.
O que o açúcar tem a ver com tudo isso
A insulina é o hormônio que cuida do açúcar no sangue. Quando você come muito carboidrato refinado, pão branco, arroz branco, refrigerante e biscoito, o pâncreas solta bastante insulina para dar conta. Com o tempo, as células param de responder bem. Isso se chama resistência à insulina. Como consequência, o corpo precisa produzir ainda mais insulina para fazer o mesmo trabalho. E, dessa forma, o excesso de energia com insulina alta vai direto para o abdômen.
Além do mais, o que os pesquisadores descobriram é que a própria gordura visceral piora a resistência à insulina. Sendo assim, quanto mais você tem, mais difícil fica emagrecer. Um ciclo dentro do outro.
A descoberta sobre as bactérias do intestino
Esse é, sem dúvida, um dos pontos mais surpreendentes do que a ciência tem encontrado ultimamente. Estudos publicados no Journal of Clinical Investigation mostraram que pessoas com excesso de gordura abdominal têm uma composição diferente de bactérias intestinais em relação a pessoas com barriga plana, mesmo quando ambas comem quantidades parecidas de calorias.
Por exemplo, algumas bactérias são mais eficientes em extrair energia dos alimentos. Dessa forma, elas fazem o corpo absorver mais calorias da mesma quantidade de comida. Outras, por sua vez, produzem substâncias que estimulam o acúmulo de gordura no abdômen. Isso, portanto, ajuda a entender por que duas pessoas podem comer o mesmo cardápio e engordar de formas completamente diferentes.
Para equilibrar o microbioma, alimentos fermentados como iogurte natural, kefir e chucrute ajudam bastante. Além disso, fibras prebióticas, que estão na aveia, na banana verde e no alho, também alimentam as bactérias boas. E, acima de tudo, reduzir o açúcar é, de longe, a mudança com maior impacto.
Por que a barriga sempre é a última a ir embora
Quem já tentou emagrecer sabe bem: o rosto afina, as pernas ficam mais definidas, os braços somem. Mas, mesmo assim, a barriga parece que não recebe o recado. As células de gordura visceral têm muitos receptores para cortisol e são bastante sensíveis à insulina, o que as torna muito resistentes ao processo de queima de gordura chamado de lipólise. Por isso, o corpo prefere pegar energia de outros lugares antes de mexer na gordura visceral.
No entanto, tem uma boa notícia. Quando você começa a perder gordura visceral de fato, os resultados vão muito além do visual. A pressão arterial melhora, a sensibilidade à insulina aumenta e, além disso, a energia sobe. Em geral, as mudanças internas costumam aparecer antes das mudanças no espelho.

O que de fato funciona para eliminar a gordura abdominal
1. Reduza o açúcar e os carboidratos refinados
Essa é, certamente, a mudança com maior impacto. Pão branco, arroz branco, refrigerante, suco de caixinha e bolachas recheadas são os maiores estimuladores de insulina no dia a dia. Ainda assim, não precisa ser radical. Uma mudança de cada vez já resolve muito. Por exemplo, comece trocando o pão branco pelo integral, o suco industrializado pela água com limão e o biscoito de tarde por uma fruta com castanhas. Veja mais opções no nosso guia de alimentos que aceleram o metabolismo naturalmente.
2. Priorize o sono acima de muita coisa
Parece simples demais, mas não é. Afinal, dormir pouco eleva o cortisol e a grelina, que é o hormônio da fome, ao mesmo tempo que derruba a leptina, que avisa quando você já comeu o suficiente. Além disso, pesquisas mostram que pessoas que dormem menos de seis horas por noite têm consistentemente mais gordura visceral. Sendo assim, a meta é entre sete e nove horas, em ambiente escuro e fresco.
3. Combine musculação com exercício aeróbico
Pesquisas da Universidade de Harvard mostraram que a combinação dos dois tipos de exercício é mais eficaz para reduzir gordura visceral do que qualquer um deles isolado. Da mesma forma, não precisa de academia para começar. Por exemplo, trinta minutos de exercícios para iniciantes por dia já produz resultados mensuráveis em oito semanas. O importante, portanto, é a consistência.
4. Trate o estresse como parte do tratamento
Uma vez que o cortisol está no centro de tudo isso, reduzir o estresse não é luxo. Na verdade, é parte do protocolo. Meditação, respiração profunda, tempo ao ar livre, atividades que você gosta. Tudo isso influencia diretamente nos níveis de cortisol e, consequentemente, na gordura abdominal. Por isso, vale muito ler sobre como a meditação ajuda a derreter gordura.
5. Coma mais proteína e mais fibra
Proteínas, encontradas em ovos, frango, peixe e leguminosas, aumentam a saciedade e, além disso, preservam a massa muscular enquanto você perde gordura. Da mesma forma, fibras, presentes em verduras, frutas com casca, aveia e feijão, alimentam as bactérias boas do intestino e diminuem a absorção de açúcar. Para montar um cardápio prático, portanto, confira nossa dieta low carb com cardápio semanal.
O jejum intermitente vale a pena para a barriga?
Essa é uma dúvida muito frequente. De fato, os estudos mostram resultados positivos específicos para gordura visceral. Quando você fica períodos sem comer, como no protocolo de dezesseis horas de jejum e oito horas de alimentação, os níveis de insulina caem bastante. Como resultado, com a insulina baixa, o corpo fica mais eficiente em acessar a gordura visceral como fonte de energia. Estudos apontam, portanto, redução de quatro a sete por cento na gordura abdominal em seis a vinte e quatro semanas com esse protocolo.
No entanto, a ressalva é que não funciona igual para todo mundo. Em particular, mulheres em idade fértil podem ter respostas diferentes. Por isso, antes de adotar qualquer protocolo de jejum, vale conversar com um médico.
Perguntas que chegam muito aqui
Dá para emagrecer só na barriga?
Não existe emagrecimento localizado no sentido estrito. No entanto, a gordura visceral, por ser metabolicamente mais ativa, tende a diminuir de forma expressiva quando você combina dieta, exercício e controle do estresse. Na prática, portanto, muitas pessoas acabam perdendo mais da barriga do que de outros lugares.
Como saber se tenho muita gordura visceral?
A forma mais precisa é por ressonância magnética ou tomografia. No entanto, a medida da cintura é uma referência acessível. Ou seja, acima de noventa e quatro centímetros para homens e oitenta centímetros para mulheres já indica risco elevado, segundo a Organização Mundial da Saúde.
Quanto tempo até ver resultado?
Com as mudanças certas, resultados mensuráveis aparecem entre quatro e oito semanas. Em geral, uma perda de meio a um quilo por semana é considerada saudável e sustentável. Afinal, dois meses de constância fazem muito mais do que qualquer dieta radical de quinze dias.
Para fechar
Em resumo, o que os pesquisadores descobriram sobre gordura abdominal muda bastante a forma como a gente precisa pensar o problema. Não é só comer menos e se mexer mais. Na verdade, tem hormônio, tem inflamação, tem bactéria intestinal, tem sono e tem estresse no meio disso tudo.
Mesmo assim, tem solução. Com as estratégias certas e sem precisar virar a vida de cabeça para baixo, é possível quebrar esse ciclo e começar a ver resultados de verdade. Por isso, se você quer dar o próximo passo, comece pelo nosso cardápio semanal low carb para emagrecer. É, portanto, um ponto de partida simples e direto.
Aviso: Este artigo é informativo e não substitui orientação médica profissional. Consulte um médico antes de fazer mudanças significativas na alimentação ou nos exercícios.
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